FUNÇÕES DA LINGUAGEM

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FUNÇÕES DA LINGUAGEM

Tornou-se hoje habitual referir a distinção das diferentes funções da linguagem proposta por Roman Jakobson, num texto que tem como título Linguística e Poética. Trata-se de uma conferência, proferida em 1956, na qual o autor esboçava a comparação entre a linguagem quotidiana e a poesia. O texto desta conferência viria a ser publicado, pela primeira vez, com o título “Closing Statements: Linguistics and Poetics”, in T. A. Sebeok, ed., Style in Language, New York, 1960, e posteriormente inserido no volume 1 dos Essais de Linguistique Générale.

No referido texto, Jakobson considerava um conjunto de seis factores constitutivos de qualquer processo de comunicação linguística e fazia corresponder a cada um desses factores uma função distinta da linguagem:

«A linguagem deve ser estudada em toda a variedade das suas funções. Antes de abordar a função poética, devemos determinar qual é o seu lugar entre as outras funções da linguagem. Para dar uma ideia destas funções, é necessário apresentar um apanhado sumário dos factores constitutivos de qualquer processo linguístico, de qualquer acto de comunicação verbal. O destinador endereça uma mensagem ao destinatário. Para ser operante, a mensagem requer em primeiro lugar um contexto para o qual remete (é o que também se chama, numa terminologia um pouco ambígua, o referente), contexto apreensível pelo destinatário, e que é ora verbal ora susceptíivel de ser verbalizado, depois, a mensagem requer um código, comum, no todo ou pelo menos em parte, ao destinador e ao destinatário (ou, por outras palavras, ao codificador e ao decodificador da mensagem); enfim, a mensagem requer um contacto, um canal físico e uma conexão psicológica entre o destinador e o destinatário, contacto que lhe permete estabelecer e manter a comunicação. Estes diferentes factores inalienáveis da comunicação verbal podem ser esquematicamente representados do seguinte modo:

CONTEXTO

â

DESTINATÁRIO à

MENSAGEM

à DESTINADOR

á

CONTACTO

á

CÓDIGO

Cada um destes seis factores dá origem a uma função linguística diferente. (…) Podemos completar o esquema dos seis factores fundamentais por um esquema correspondente das funções:

REFERENCIAL

â

EMOTIVA à

POÉTICA

à CONATIVA

á

FÁTICA

á

METALINGUÍSTICA

Este esquema tem sido objecto de inúmeros comentários e também de algumas críticas. Alguns autores sublinham o facto de este esquema fazer uma assimilação extremamente simplificadora dos elementos que intervêm no processo de enunciação, ao reduzi-los às categorias do destinador e do destinatário. No processo enunciativo, o destinador nem sempre é uma instância única, mas desdobra-se numa diversidade de entidades. Um dos casos mais evidentes de desdobramento da instância enunciadora é o do discurso relatado, no qual um locutor assume, directa ou indirectamente, um enunciado produzido no decurso de um ou mais processos de enunciação diferentes. O destinatário também nem sempre é uma instância homogénea. Assim, por exemplo, um discurso parlamentar pode ter efectivamente como destinatário o público dos cidadãos eleitores ausentes, além dos parlamentares que se encontram presentes no hemiciclo.

Mas a crítica que os autores actualmente fazem com mais insistência ao esquema de Jakobson é a que tem a noção de código como objecto. Ao postular a existência de um código comum ao destinador e ao destinatário, Jakobson formulou uma concepção utópica de código, visto escamotear a existência de casos, mais frequentes do que muitas vezes se pensa, em que cada um dos protagonistas do processo comunicacional não domina completamente o código do outro ou utiliza um código, pelo menos, parcialmente diferente daquele que o destinatário utiliza para decifrar a sua mensagem. Jakobson parece assim esquecer ou, pelos menos, secundarizar os fenómenos muito importantes das variações linguísticas e da heterogeneidade dialectal.

Os críticos do esquema de Jakobson costumam ainda denunciar a assimilação algo simplificadora dos processos de comunicação humana com o esquema cibernético da teoria da informação que, como se sabe, não foi concebida para dar conta do sentido, mas formulada pelos engenheiros das tecnologias da informação para medir a quantidade de sinais que podem passar em simultâneo pelas redes da informação, tais como telégrafos e telefones.

A concepção mais completa da diversidade das funções da linguagem ainda continua a ser a que os Estóicos propuseram, ao distinguirem as funções significantes das funções designadora ou referencial, expressiva ou manifestadora e de elaboração do sentido.

Bibliografia

E. Bréhier, La Théorie des Incorporels dans l’Ancien Stoïcisme, Paris, Lib. Vrin, 1928; Gilles Deleuze, Logique du Sens, Paris, ed. de Minuit, 1966; Victor Godschmit, Le Système du Temps et l’Idée de Temps, Paris, Lib. Vrin, 1985; Roman Jakobson, “Closing Statements: Linguistics and Poetics”, in T. A. Sebeok, ed., Style in Language, New York, 1960 (texto inserido em Roman Jakobson, Essais de Linguistique Générale, vol. 1, Paris, ed. de Minuit, 1963, reimpresso em 1986, páginas 209-248).