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FIGURA

1. Usado no contexto das figuras de estilo, o termo designa as formas expressivas de usar a linguagem que alteram o sentido literal das palavras (denotação), criando na mente do leitor/ouvinte que as recebe ideias acessórias com significados contíguos. A mudança varia em função da figura de estilo utilizada e pode oscilar entre a mera sugestão ou a substituição do sentido inicialmente convencionado para a palavra. Tratam-se, portanto, de procedimentos estilísticos e linguísticos considerados como um desvio da linguagem comum (se esta for entendida como norma) e parte integrante da linguagem figurada, cujo objectivo reside na ênfase e no adorno discursivos. No entanto, alguns destes procedimentos são utilizados na linguagem comum (como o assíndeto e o polissíndeto) não constituindo o seu emprego, por si só, uma marca distintiva da literariedade. Podem revelar-se uma característica do texto literário se a sua recorrência e distribuição tornarem evidentes a intenção do escritor.

A disciplina da retórica divide-se em cinco partes e as figuras de estilo incluem-se no cânone com o mesmo nome (estilo). Serviam de instrumento a oradores e escritores que procuravam, de forma deliberada, a criação do ornatus no seu discurso, por forma a persuadir ouvintes e leitores. A vertente directiva dos textos retóricos clássicos tornou necessária, desde cedo, a definição e ordenação destes instrumentos estilísticos, tendo sido vários os retóricos e teóricos que tentaram uma classificação dos mesmos desde Quintiliano (a. D.35-95) até à contemporaneidade.

Anteriormente, já Aristóteles definia metáfora como o transportar para uma coisa o nome de outra (Poética, 1992: 134), privilegiando, no discurso retórico, de entre os quatro tipos existentes, aquela que é feita por analogia. Sendo a retórica aristotélica direccionada para a persuasão dos ouvintes, esta figura revela-se uma forma expressiva central da elocutio, porquanto obrigaria os ouvintes desprevenidos a estabelecer a semelhança mesmo com entidades muito diferentes (Retórica, 1998: 201). O símile, a hipérbole e a antítese, são consideradas metáforas ou figuras formadas a partir delas (Quintiliano iria, mais tarde, classificá-las como tropos). O Autor grego avança com as descrições de formas de expressão que, embora funcionando mais como um auxiliar da argumentação do que uma simples técnica da ornamentação, iriam proporcionar as classificações de teóricos que o sucederam.

O retórico latino Cícero foi um deles. An obra Ad Herennium, que lhe é atribuída, tentou uma primeira classificação das figuras através de um dicionário de termos estilísticos (Livro IV), dividindo-as em dois grupos distintos: as figuras de dicção (das quais os tropos constituíam uma subclasse) e as figuras de pensamento. Quintiliano, considerado por muitos o maior crítico literário da época clássica, procurou então conciliar e sumariar as classificações de Aristóteles e Cícero, e, no livro IX do tratado Institutio Oratoria, começa por distinguir figuras de tropos. Estes remetem para a transferência de expressões da sua natural e principal significação para outra, à qual podem não pertencer. As figuras, por outro lado, designam formas atribuídas à linguagem, diferentes do que é óbvio e mais comum. De acordo com o teórico romano, as figuras não envolviam, necessariamente, alguma alteração, quer da ordem quer do sentido estrito das palavras. No entanto, deixa antever que a maioria das características dos tropos é comum às figuras e que ambos partilham o mesmo propósito: ornamentar a linguagem. As figuras dividir-se-iam em duas subclasses: as figuras de pensamento, associadas à formulação de conceitos e de ideias e as figuras de palavra, directamente ligadas à expressão da linguagem. Considera ainda os tropos e as figuras de pensamento os artifícios mais importantes para o orador, pois estão unidos pelo pensamento e revelam a estratégia conceptual a que o orador recorreu para o embelezamento estilístico.

Outras tentativas de agrupamento das figuras de estilo no âmbito da disciplina de retórica foram muito frequentes. Destacam-se na renascença a obra Arte of Rhetorique de Thomas Wilson, datada da segunda metade do séc. XVI, que mantém a diferença entre tropos e figuras. Incluídas nestas estariam as figuras de frase e de palavra. Embora o recurso à linguagem figurada tenha sido uma constante ao longo da história escrita , durante o Iluminismo a razão imperou e o estilo retórico, visto como uma busca imaginativa, foi relegado para segundo plano, suplantado pela preocupação em classificar as figuras de estilo. Na contemporaneidade são várias as tentativas para dar resposta aos problemas de reordenação e classificação das mesmas. Podem ter por base uma nova premissa (como a inexistência da dicotomia entre linguagem literal e linguagem figurada (Todorov, 1967:100) ), serem agrupadas em função das emoções e intenções inerentes ao discurso do orador (Lee A. Sonnino, 1968), partirem de pressupostos da linguística moderna (J. Dubois e o seu grupo), entre outras. Merecem destaque as tipologias de Tzevtan Todorov, K. Spang, J. Dubois e o Grupo de Liége (inspirada em termos de origem grega), G. Genette, Warren Taylor (1972), A .López García (1981).

Algumas classificações resultam numa extensa apresentação de classes de figuras, para, quase forçosamente, encontrar uma definição e fixar o artifício. Lembremos Quintiliano, pois é a evidência do valor estilístico que indica o artifício usado e a figura pode não ser exclusiva de uma determinada classe. Assim, poderemos dividir as figuras de estilo nos seguintes tipos, de acordo com os seus campo de incidência e com a forma como o leitor/ ouvinte as percepciona :

 

- Figuras de dicção: dizem respeito à forma como as palavras são pronunciadas e ocorrem no nível fónico da língua (aliteração, repetição, aférese, síncope, apócope, prótese, epêntese, paragoge, onomatopeia, etc.).

- Figuras de construção ou de sintaxe: afectam a construção frásica e situam-se no nível sintáctico da língua. Podem remeter para a omissão de palavras (elipse, zeugma, assíndeto, etc.), para a adição e repetição (anáfora, polissíndeto, enumeração, epístrofe, epanadiplose, paralelismo, etc.) ou para a alteração da ordem sintáctica (hipérbato, anástrofe, etc.).

- Figuras de pensamento: podemos encontrá-las no nível semântico da língua, remetendo para formas de conceber e expressar ideias ou conceitos. Subdividem-se em duas classes: figuras de associação presente e figuras de associação ausente ou tropos. As primeiras revelam-se, como o próprio nome indica, pela presença, no discurso, do significado adicional ou da ideia acessória em simultâneo com o sentido literal. Esta coexistência pode ser explícita (como no caso da comparação), identificada a partir do significado de elementos próximos (personificação, antítese, paradoxo, pleonasmo, etc.), ou reconhecida através da própria enunciação discursiva (eufemismo, invocação, apóstrofe, etc.). A relação entre a forma expressa e o novo significado adquirido torna-se mais evidente, possibilitando uma célere identificação. A segunda subclasse de figuras de pensamento- figuras de associação ausente ou tropos- não pressupõe a existência dos diferentes significados no discurso. O novo sentido ocupa o lugar do primeiro e, devido à substituição efectuada, a relação entre ambos tem de ser feita na “ausência”, pelo ouvinte ou leitor, através de uma contiguidade possível. Pela dificuldade não só de elaboração como de identificação, são as figuras de estilo mais consideradas e mais ambíguas (as relações de contiguidade podem ser várias e depender da perspectiva do sujeito que estabelece a associação no seu pensamento). Entre estas figuras contam-se a metáfora, a metonímia, a sinédoque, a ironia, etc.. A fronteira entre esta subdivisão é muito ténue e algumas figuras, como é o caso da ironia, podem surgir em qualquer um dos grupos, dependendo da forma como são formuladas e expressas.

 

2. Na linguagem teatral e no cinema, uma figura designa o aspecto global de uma personagem, caracterizada pelos seus traços gerais e pela sua posição estrutural. Para a construção de uma figura não são indispensáveis os pormenores, porquanto se trata de uma silhueta imprecisa cujos únicos contornos necessários são em muito semelhantes aos da personagem tipo. Importa a interacção com as outras personagens para uma classificação imediata como “a figura do herói”, “a figura do vilão”, que não abrange a natureza interna e, eventualmente, mais complexa da personagem representada.

Bibliografia

Aristóteles, Poética, Lisboa, 1992; Id. Retórica, Lisboa, 1998; Kenneth Burke, A Grammar of Motives, s.d.; Theresa Enas (ed.), Encyclopedia of Rethoric and Composition, 1996; Heinrich Lausberg, Elementos de Retórica Literária, 1993; Michel Meyer (ed.), Figures et conflits rhetoriques, 1990; Patrice Pavis, Diccionario del teatro- -dramaturgia, estética, semiologia, 1998; Quintiliano, Institutio oratoria, 1921; Tzevtan Todorov, Literatura e Significação, 1967.

http://www.nipissingu.ca/faculty/williams/figofspe.htm

http://humanities.byu.edu/rhetoric/silva.htm

http://www.public.iastate.edu/~honeyl/rhetoric/index.html

http://www.lcc.gatech.edu/gallery/rhetoric/terms/style.html